01.15.08

Escrituras

Enviado em Sombras às 3:07 pm por Magno Rocha

Magno Rocha

Em algum lugar no infinito céu em descortinar-se eu vi uma carruagem de fogo descer sobre a minha sobrancelha e perder-se em meu peito suado e treinado pelo tráfego. O que poderia ser? E o que não poderia? Era o dia, apocalipse? Não sei. Apenas acredito saber que estou escrevendo, num domingo, às três da manhã, umas palavras enquanto o sono não vem… E o sono não vem, apesar de ter prometido isso há milênios…

Eu não sou tolo, entendo meu coração. Minha carne em chamas, meu sangue e minha cama. Enquanto, ao alto, uma moeda era sorvida pelas grades do bueiro sagrado eu jogava mais uma cédula sobre o distorcido altar do inferno. Esses altares sempre se distorcem… Bares…

Enquanto a luxúria se afastava de meus pensamentos eu mantinha a minha sagrada comunhão: Língua aos seios. Eu desviaria de meus instintos? Para quê? Por uma sombra além de um tempo regressivo? Por um mito? Não mesmo…

Sim, você entende perfeitamente, trato aqui sobre o sangue em natureza, trato sobre o desejo das mãos em carícias, eternidade… Não há nada mais desumano do que o condenar a vida, condenar os sentidos e sentimentos. Eu condeno as palavras em traças de agonia a sofrerem para sempre em suas puras fantasias.

Que me dizem? Ah, sim. Sou um herege — contrário aos cravos em suas mãos. Prefiro um gesto paterno onde não haja sangue após o beijo. Não sigo cadáveres. Não sou um cadáver. Não sigo um pedaço entrecortado de madeira. Não sigo o ontem. Não respiro o que as sepulturas escondem em alegre saborear.

Ah, sim. Sou um herege, mas não sigo o que nasceu da união entre um adultério e um pombo-correio: Mensageiro dos mendigos.

Visito santuários onde se dizima após o paraíso. Minhas divindades permitem que eu as nomeie conforme minha escolha… “Santa Maria, rogai por mim, não pare agora!”

Hipócritas: Olhem no fundo de meus olhos e mantenham-se à imagem encontrada.

Estou cansado de rir do ser humano, mas eu tenho o péssimo hábito de não manter a poeira sobre a minha boca, o lacre sobre os meus ouvidos, o selo sobre os meus olhos…

Eu leio qualquer livro, não enrubesço, mas eu sigo a tinta que corre, sem veneno, em meu eu.

Que a iluminada verdade em companhia a seus passos lhe mostre que o sagrado não é proibido. Entenda: Você é livre por obrigação!

Desejo ao leitor todos os prazeres do mundo!

2 Comentários »

  1. Mr WordPress disse,

    Hi, this is a comment.
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  2. Vany disse,


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